Deslizamentos recentes acenderam alerta para o risco de empilhamento de toneladas de material sem o controle necessário.
Os rompimentos de barragens em Mariana (Região Central), em 2015, e Brumadinho (Região Metropolitana de Belo Horizonte), em 2019, evidenciaram os perigos envolvidos no método de alteamento a montante dos rejeitos da mineração. As duas tragédias mobilizaram parlamentares, o poder público e a sociedade civil organizada na busca de maior segurança na atividade minerária. Agora, no entanto, é preciso dar um próximo passo e desenvolver um marco regulatório das pilhas de rejeitos da mineração, ameaça que ainda não recebeu a devida atenção, de acordo com os participantes de audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável realizada, nesta terça-feira (18/3/25), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Minas possui atualmente cerca de 750 pilhas de rejeitos e estéreis. Em 2022, em meio a fortes chuvas que castigaram o Estado no início do ano, ocorreu o deslocamento de parte da chamada Pilha Cachoeirinha, da mineradora Vallourec. O material transbordou e provocou uma avalanche de lama de resíduos minerários que interditou completamente o tráfego de veículos na BR-040, bem próximo ao trevo de Ouro Preto, no trecho que liga Belo Horizonte ao Rio de Janeiro. Em dezembro de 2024, dezenas de moradores evacuaram suas casas no município de Conceição do Pará (Centro-Oeste), pelo deslizamento de rejeitos e movimentação de terra em uma mina da Jaguar Mining.Transparência de informações
Ambientalistas denunciam a total falta de controle sobre essas pilhas, estruturas robustas que podem causar grandes estragos.“Pilhas de rejeitos foram construídas nos últimos anos, certamente, sem cálculo da base necessária nem de altura máxima.”
Júlio Grillo
Ex-superintendente regional do Ibama
“O Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais) exige a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), só para dizer que o profissional que errar por incompetência vai ser preso. Mas quem foi preso em Mariana e Brumadinho? Ninguém!”
Euler Cruz
Presidente do Fórum Permanente São Francisco